Uma avaliação das lutas populares – A luta maior ainda está por vir

O mês de junho foi marcado por grandes mobilizações que tomaram as ruas das principais capitais do país, este movimento que ficou caracterizado principalmente pela presença da juventude mobilizou milhares de pessoas e ainda que sem um nível maior de organização conseguiu chamar a atenção da imprensa internacional e preocupar bastante os dirigentes políticos de direita e de esquerda do Brasil. As movimentações de junho representaram a indignação daqueles que não sabiam nem exatamente como expressar essa revolta e enquanto a esquerda e a direita tentavam capitalizar para si toda essa efervescência, a luta dos jovens conquistavam a redução das passagens de ônibus e a queda da PEC 37. Em um momento de crise econômica, com juros cada vez mais altos, inflação e Copa do Mundo o governo do nacional-desenvolvimentismo se encontra abalado politicamente. A descrença nos partidos políticos expressa nas palavras de ordem de vários manifestantes, mais do que anti-partidarismo, é senão um espelho do abandono das lutas sociais por parte dos partidos de esquerda.
É verdade que o governo Dilma se encontra em situação econômica difícil e que o reflexo dos juros altos e da inflação segue para a população na forma de muita revolta, mas é também verdade que esta situação é inevitável quando o estado está inserido nas manobras da especulação do mercado financeiro e entregue à anarquia da produção capitalista. Ainda assim, nesta conjuntura a direita perde espaço, pois, não faz parte do seu expediente as lutas sociais, muito menos quando estas se encontram nas ruas entre as multidões. Para dá uma resposta a altura os partidos organizam através do movimento sindical e dos movimentos sociais um grande Dia Nacional de Lutas, divulgado para muitas categorias como Greve Geral. O ato que saiu às ruas no dia 11 de julho é bem diferente daqueles do mês passado. Agora não é mais a classe média que levanta o cartaz que bem entender numa passeata sem muita homogeneidade. Com uma pauta bem definida doze centrais sindicais levaram milhões de trabalhadores à cruzarem os braços no Brasil, com direito a passeata e fechamento de estradas. Essa resposta que veio tarde é uma tentativa de mostrar o poder de mobilização dos partidos de esquerda, entretanto, de nada adiantará esse poder se não servir para enfrentar os desmandos da classe dos capitalistas.
É natural que todo movimento de lutas tenha seu fluxo e refluxo, mas é certo que o mês de junho e esta greve geral dos trabalhadores foi um grande passo na construção da consciência de classe do proletariado brasileiro. Estas mobilizações terão seus frutos em pouco tempo caso haja uma organização popular cada vez mais coesa. O mais natural mesmo é que as pessoas se sintam revoltadas por viverem em um sistema tão injusto como o capitalismo, por isso, essas não foram as primeiras nem serão as ultimas respostas do povo à exploração que sofre. A luta maior ainda está por vir.

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