Indústria da doença não quer mais médicos no Brasil

Programa de saúde do governo federal, que visa levar médicos brasileiros ou estrangeiros para trabalharem no interior do país ou em periferias das grandes capitais tem assustado a elite da categoria e sido centro de discussão nos principais meios de comunicação do país. Foram 11,7 mil profissionais que se inscreveram apenas na primeira semana, de acordo com o Ministério da Saúde. Desse total, 9.366 são formados no Brasil e 2.335 no exterior, de naturalidade brasileira são 10.786 e 915 de naturalidade no exterior. Há ainda suspeita de boicote ao programa, informou a assessoria de imprensa do ministério da saúde, que recebeu várias denúncias informando que grupos pretendem realizar uma desistência em massa dos inscritos no programa. A ministra das relações institucionais, Ideli Salvatti, disse que “se inscrever em massa para depois desistir em massa, para retardar ou impedir a contratação, é digamos assim, um prejuízo à população”. O ministério acionou a Polícia Federal para que ela investigue o caso.
ImagemAtualmente, a maior parte dos médicos no Brasil concentra-se no sul e sudeste do país. Segundo o Conselho Federal de Medicina, que mantém fortes posições contra a vinda de 6.000 médicos cubanos para o Brasil, 70% dos médicos estão nas regiões citadas, estando ainda a maioria nas grandes cidades e capitais. Este é um fato que demonstra o quase inexistente interesse da categoria de trabalhar para a população carente e em lugares mais isolados, justamente em função do retorno financeiro. Para o Centro Brasileiro de Estudos da Saúde (CEBES), a falta de médicos ainda não é o principal problema do SUS. Segundo a CEBES, em nota publicada através do site oficial da organização “É preciso reafirmar que o principal problema do SUS é a subordinação do setor da saúde à lógica de mercado que se expande sufocando o direito social previsto na Constituição”.
Ainda assim, há expressiva movimentação da elite dos médicos em se opor a vinda de médicos estrangeiros para fazer no Brasil o que eles deveriam está fazendo: cuidar da saúde do povo. O que eles temem, na verdade, é ter que modificar suas formas de tratamento por métodos mais avançados de prevenção, em detrimento dos velhos métodos que prendem os pacientes à medicamentos caríssimos. Com isso, perderiam os privilégios dados pelas empresas farmacêuticas. Essa indústria que está mais preocupada em manter do que curar as doenças é a verdadeira financiadora da campanha contra o programa Mais Médicos e a vinda de médicos estrangeiros, com um destaque para os cubanos.
O capital que torna tudo a sua imagem e semelhança trata até mesmo a vida humana como simples objeto para a obtenção de lucros cada vez maiores. Enquanto isso, o povo pede mais hospitais, mais saúde, mais alimentação, mais médicos.

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http://averdade.org.br/2013/05/por-que-os-medicos-cubanos-assustam/

medico cubano

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