Eleições no afeganistão e a democracia do império

Neste sábado, 5 de Abril foi realizada a eleição presidencial e provincial da República do Afeganistão.  Após 13 anos de guerra o país vive um momento importante para sua democracia, é a primeira vez, desde a derrubada do Taleban em 2001, que o povo afegão irá eleger um nome diferente para a presidência. Hamid karzai que assumiu a presidência após a invasão dos Estados Unidos no país, está impedido pela constituição de concorrer novamente nas eleições presidenciais e passará o cargo para um dos três favoritos, Ashraf Ghani, ex-funcionário do Banco Mundial, e Abdullah Abdullah e Zalmay Rassoul, ex-ministros das Relações Exteriores do país.

O clima de tensão no país é grande, pois, antes mesmo de iniciar o pleito o Taleban alertou que iria utilizar força ampla para reprimir a votação em todas as partes do país. Só nesta manhã uma bomba explodiu na zona eleitoral da província de Logar, onde ao menos quatro pessoas ficaram feridas. Nas sexta-feira, 4, a premiada fotógrafa Anja Niedringhaus, 48 anos, morreu em um ataque na província de Khost, na região leste do país. Além da morte da fotógrafa o atentado que ocorreu em frente a uma delegacia feriu a repórter canadense Kathy Gannon. O ataque ocorreu quando as jornalistas da agência de notícias Assoscieted Press estavam dentro de um carro que iria acompanhar a distribuição das cédulas de votação. Ao todo foram quase 200 mortes durante a eleição.

As urnas foram fechadas uma hora após o previsto e algumas zonas eleitorais ficaram sem cédulas em virtude da participação maior do que o esperado pela Comissão Eleitoral Independente (CEI). As eleições sofrem de sério descrédito, tanto pela população afegã como pela comunidade internacional. Na ultima eleição mais de um milhão de cédulas de voto foram impugnadas. Este ano, foram distribuídas 21 milhões de cédulas, sendo que apenas 13 milhões de pessoas podem votar. A comissão de fiscalização recebeu cerca de 1,3 mil queixas relativas ao processo eleitoral.

Mulher vota em eleição no afeganistao. Foto: Abdul Khaliq/AP

Mulher vota em eleição no afeganistao. Foto: Abdul Khaliq/AP

É certo que a modificação dos personagens políticos nem sempre reflete uma modificação do sistema político. Além do passado sangrento da grande maioria dos candidatos e da forte influência do atual presidente na política do país, o Afeganistão não deixa de ser um lucrativo negócio para os Estados Unidos que continua de olho no petróleo, no gás e nas minas de ferro, de cobre e de lithium. Sendo assim, mesmo com a modificação do presidente e com a lenta retirada das tropas americanas, não há nada que declare o fim da intervenção dos EUA sobre este país. O mais provável é que as empresas privadas estrangeiras a partir de agora passem a agir dentro do território com maior intensidade sob a égide da “paz” e da “legalidade democrática”. A “guerra justa” que o império lançou sobre o povo afegão em nome da democracia e da segurança mundial desde 2001 já perdeu todos os créditos. 13 anos depois o que resta é um misto de corrupção, barbárie e 13 mil mortos só entre 2001 e 2011.

 

 

Confira também um trecho da entrevista do Gen. David Petraeus, em que ele diz:

” … é claro que o Afeganistão foi abençoado com a presença de minerais avaliados na casa dos trilhões, no plural mesmo, de dólares mas se, e somente se, usarmos a tecnologia de extração, o capital humano, as linhas de comunicação que nos permitam mover pelo país e todo o resto. É um grande ‘se’ e é claro há o alicerce da segurança que seria necessário para construir tudo isso. Mas veja, as expectativas são muito significantes se pudermos alcançar tais objetivos …”

http://www.youtube.com/watch?v=DPijrJ9kXEs#t=15    

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