Polícia Militar massacra seis mil famílias para defender patrimônio abandonado pela Oi

Hoje, por volta das cinco horas da manhã 1650 policiais do 3° BPM (Méier), do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) e do Batalhão de Choque (BPChq), por ordem judicial  do dia 4 de abril, realizaram violentamente a desocupação de cerca de seis mil famílias abrigadas no prédio da antiga Telerj, no Engenho Novo, RJ. As famílias encontravam-se no local desde 31 de março e grande parte do terreno já havia sido dividida entre os moradores. O prédio de 5.000 m² estava abandonado pela empresa de telecomunicações Oi há 20 anos, ainda assim, não houve acordo para resolver o problema da habitação das famílias. Durante a ocupação houve muito tumulto, confronto, crianças foram agredidas e encaminhadas para a Unidade de Pronto Atendimento, cinco policiais feridos, uma viatura incendiada e seis mil famílias em desespero por não ter um teto para morar.

Para a Organização dos Advogados do Brasil (OAB) a situação não está sendo guiada da melhor forma: “A OAB avisou para que essa reintegração fosse feita com cautela. Posso garantir que o melhor era o diálogo entre as pessoas. Deveríamos sentar, conversar, ver quem realmente é necessitado ali e fazer um cadastramento. Não podemos aceitar o vandalismo, nem a irregularidade, mas também não aceitamos truculência e a situação de perigo a que estas pessoas estão sendo expostas”, disse o presidente da 55° subseção da OAB no Rio de Janeiro, Humberto Cairo. Por outro lado, sem nenhum senso de responsabilidade, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) disse que ninguém vai ganhar casa do governo “no peito e na raça”.

 

Esteban Crescente é levado pela polícia

Esteban Crescente é levado pela polícia

O prefeito do Rio de Janeiro ainda declarou: “Não conheço favela nenhuma da Telerj. Conheço uma invasão com todas as características de uma invasão profissional, organizada. Ali tem sim pessoas humildes com necessidades habitacionais, pessoas mais pobres, mas que estão ali loteando e demarcando. Pobre que é pobre que precisa de casa não aparece logo com aqueles madeirites e fica marcando número. Então, é um movimento típico de um movimento organizado”. Ora, como a população irá conquistar seus direitos mais básicos a não ser de forma organizada? Na verdade, o que mais teme o prefeito do Rio de Janeiro não é o fato de uma propriedade está sendo ocupada, mas sim a organização através da qual esta ocupação pôde ser realizada.

Além da truculência contra a população os policiais também ameaçaram prender os jornalistas que estavam fazendo a cobertura da ocupação, um jornalista do Globo foi preso e levado para o 25° DP (Rocha). O líder de movimento social e militante do Partido Comunista Revolucionário, que foi candidato a Deputado Estadual na ultima eleição, Esteban Crescente foi preso enquanto apoiava a ocupação.

A conclusão que pode ser tirada destes fatos é de que a justiça e a política no Brasil não estão a serviço do povo pobre, mas sim das grandes empresas. Como ficou claro nas declarações do prefeito do Rio de Janeiro pouco importa o destino das pessoas que ocuparam o terreno, pouco importa que famílias inteiras não tenham um teto onde abrigar seus filhos. Para o prefeito do Rio de Janeiro, para a polícia militar, para a Oi Telecomunicações pouco importa o ser humano.

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