O Principal Motivo do Golpe de 64

O mundo dividido em dois

O mundo estava dividido em dois blocos, de um lado a União Soviética, dirigida pelo pensamento socialista; do outro os Estados Unidos, que apregoava o liberalismo. Esse cenário influenciava as decisões políticas dos países periféricos, tendendo a se aliarem a um ou ao outro. O socialismo já não era mais uma ideia livresca, mas, tal como Karl Marx dissera se materializava, tendo como seu precursor Lenin. A política de liberalismo caiu em desprestígio em vários momentos da história. Getúlio Vargas chegou a considerá-la utopia, e passou a defender o pensamento nazista, não fossem as concessões que Washington fez ao governo brasileiro, teria lutado junto aos nazista. Vários países entravam em ebulição política no mundo e aqui na América Latina. Sem dúvida um dos momentos de mais medo dos EUA foi a Revolução Cubana realizada em 1959. Essa pequena faísca poderia servir de exemplo para outras nações americanas tomarem o rumo da revolução. De fato, no Brasil também havia bastante disputa política. Os governos populistas haviam dado condições para que os movimentos sociais se organizassem. Claro que as condições materiais da população pobre tinha feito surgir no campo e na cidade focos de luta. Além disso, a classe operária tinha crescido bastante desde a Revolução de 30. Inclusive, o próprio Getúlio que outrora estava ligado aos fascistas da Europa e perseguia os comunistas e movimentos do campo como o cangaço, teve que conceder vários direitos trabalhistas devido à força que tinha essa classe.

Jornal Ultima Hora noticia grande comício em que Jango fala das Reformas de Base.

Jornal Ultima Hora noticia grande comício em que Jango fala das Reformas de Base.

Os avanços de um governo popular      

Jango (João Goulart) era membro do PTB (Partido Trabalhista do Brasil), e havia assumido a presidência com a renúncia de Jânio Quadros. Jango havia visitado a China e a União Soviética, se maravilhou com a tecnologia e as condições de vida da população. Além disso, condecorou Che Guevara com a Grã-Cruz do Cruzeiro. Para os Estados Unidos e militares no Brasil Jango era comunista. Tentaram impedir a posse de Jango quando da sua volta ao Brasil, mas malograram.

Jango não era de fato comunista, mas seu pensamento era de melhorar a vida da classe trabalhadora e da população mais pobre. Por isso, tanta afinidade com os países socialista.

Além dessas questões, as lutas dos movimentos sociais no Brasil se acirrava. As entidade como a CGT (Comando Geral dos Trabalhadores) e a UNE (União Nacional dos Estudantes), faziam suas manifestações em defesa das reformas de base. A postura de Jango era de diálogo com esses movimentos, o que irritava os oficiais. A situação fica mais alarmante (para as classes dominantes) quando Jango resolve fazer um comício defendendo as reformas de base.  Alguns estudiosos acreditam que, na verdade, o comício era positivo para os militares, pois, era o elemento base para que tivesse o apoio da elite brasileira. As classes dominantes começam a tomar postura política diante dessa situação. Foi fundado o IPES (Instituto de Pesquisa de Estudos Sociais), essa organização contava com o apoio de empresários e intelectuais, dentre os intelectuais os mais famosos são Rachel de Queiroz e o cineasta Jean Mazon. Esse último fez documentários que mostravam a vida da classe trabalhadoras no seu dia-a-dia, sendo um dos mais conhecido “a luta pelo transporte público em São Paulo”. Ao primeiro olhar parece ser de esquerda, mas a intensão dessa organização era desgastar a imagem de Jango.

Antes do golpe

No estado do Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro os governadores começam a fazer ataque de cunho fascista. No primeiro, governado por Magalhães Pinto, líderes como Leonel Brizola, foram fortemente perseguidos. Os outros eram governados respectivamente por Carlos Lacerda e Ademar de Barros. Esse último acabou não sendo bem visto pelos militares e foi exilado depois do golpe.

Jango sentia que o golpe se aproximava. Chegou a cogitar um estado de sítio, mas os movimentos sociais rejeitavam essa proposta, pois, não tinham tanta fé no golpe e acreditavam ser um argumento que seria usado contra a luta popular. Diante dessa situação, estavam dadas as condições para o Golpe. Ele aconteceu em 1 de Abril de 1964.

General Costa e Silva e o Presidente dos EUA Lyndon Johnson

General Costa e Silva e o Presidente dos EUA Lyndon Johnson

O principal motivo do golpe

É importante salientar que esse golpe não era um mero capricho dos militares. Claro que estes intervieram outras vezes no Estado brasileiro, mas as intenções sempre estiveram ligadas a questões políticas. Aqui não foi diferente, era o medo das mudanças sociais e uma possível aliança com a União Soviética que fizeram os militares agirem. Partes da classe média e das elites também apoiaram o golpe. Além disso, houve de fato a intervenção dos Estados Unidos, que era quem realmente temia uma adesão do Brasil ao bloco comunista. Não podemos pensar que os interesses eram os mesmo. Os EUA, temia a adesão ao bloco, por isso interviu. As elites, por outro lado, estavam com medo das mudanças reais. Fernando Henrique Cardoso também defende esse ponto de vista, naquele momento ou se defendia os EUA ou a URSS. É preciso dizer também que a elite preferia a democracia à ditadura, no entanto, em um momento acirrado, não balbuciaram em atacar os trabalhadores. Esse segmento acreditava que poderia impedir pela democracia burguesa, mas aos poucos foram se desvinculando desse pensamento e passaram a apoiar os militares, tendo inclusive o episódio da Marcha da Família com Deus, que deu força a intervenção. Em outros momentos da História a burguesia teve que abrir mão de seu liberalismo político para impedir revoluções populares. Como exemplo disso, temos a Revolução Francesa a qual os avanços foram impedidos com nomeação de Napoleão por parte da alta burguesia, para dirigir a revolução. Karl Marx, inclusive, afirma em O 18 de Brumário de Luíz Bonaparte que a burguesia toma consciência tal das consequências de seus atos no parlamento, na palavras do filósofo “se os dirigentes tocam, o que resta ao povo se não dançar?” que chega a negar o seu poder a ponto de nulidade para não ver o seu projeto social ser derrubado. Para Hebert Marcuse, da Escola de Frankfurt, a burguesia pode abrir mão do pensamento liberal, desde que seu principal elemento continue intacto a propriedade privada. É por isso que setores como a imprensa, que deveriam ser os últimos a defender uma ditadura, pois dependem da liberdade de expressão para entrar concorrência com outras empresas de informação, apoiaram a ditadura, pois, tinham medo de que o direito à propriedade privada dos meios de produção fosse aniquilado e consequentemente, acabasse a exploração do homem pelo homem.

 

Ivson Carlos Barros Nunes, 12 de abril de 2014

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