Relatório de ONG inglesa denuncia mortes de ativistas do meio ambiente e da terra.

O ativismo ambiental é praticado por pessoas que defendem o convívio equilibrado do ser humano com a natureza. A luta pela distribuição de terra é a luta pela igualdade e pela justiça no meio rural. Estas causas que deveriam fazer parte de um consenso geral, na verdade são vítimas de uma grande disputa entre os lutadores sociais e grandes investidores. Nesse conflito, a morte de defensores do meio ambiente chegou a 908 entre 2002 e 2013, segundo a ONG Global Witness, fundada em Londres, em 1993. Destas mortes 448 ocorreram no Brasil que é o país mais perigoso para os ambientalistas.

Chico Mendes, patrono do meio ambiente no Brasil.

Chico Mendes, patrono do meio ambiente no Brasil.

A pesquisa, que foi divulgada nesta terça-feira, 15 de abril, traz um relatório de mortes de ativistas em 35 países. A Global Witness reconhece que os números são maiores na prática, pois, a pesquisa trabalha apenas com dados oficiais. Além do grande número de mortes a impunidade é algo recorrente. Em apenas 1% dos crimes os culpados tiveram que responder na justiça e foram condenados. No Brasil existem casos históricos, como o de Pedro Texeira, assassinado pelo latifúndio na década de 60 por lutar pela terra e que até hoje ninguém foi levado à justiça. Outro caso muito conhecido é o de Chico Mendes, seringueiro que lutou contra a devastação da floresta amazônica e foi assassinado nos fundos de sua casa, em 22 de dezembro de 1988.

A pesquisa destina um capítulo ao Brasil, país com o maior número de assassinatos de ativistas do meio ambiente e da terra, 49,3% de todas as mortes levantadas na pesquisa. Logo em seguida vem Honduras com 109 óbitos. É importante também ressaltar que a pesquisa se deu com relação à mortes ligadas ao ativismo especificamente da área do meio ambiente e da terra, diminuindo escandalosamente o número de mortes na Colômbia, país que mais mata sindicalistas no mundo.

Ainda falando do Brasil, a pesquisa destaca a opinião do professor de História Contemporânea do Brasil da Universidade da Califórnia, Dr Clifford Welch. O professor avalia que o principal motivo é o modelo de utilização da terra, o latifúndio, a produção de commodities e a desvalorização da natureza e da floresta. Para ele “Isto desvaloriza as pessoas que vivem ao redor dos latifúndios, e a tendência é que elas sejam empurradas para fora do caminho dos latifundiários”.

Neste sentido, o principal problema das mortes de ativistas no Brasil está ligado à questão da terra e da reforma agrária, onde reina a impunidade e o desmando do latifúndio. É fundamental que os movimentos sociais da cidade e do campo estejam unidos para defender a reforma agrária e combaterem juntos neste conflito social, o qual não há dúvidas de que é um conflito de classe.

 

Confira a pesquisa na íntegra: Deadly Environment

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