OS INTERESSES DA MÍDIA BURGUESA NOS ESCÂNDALOS DE CORRUPÇÃO

Por Ivson Carlos Barros Nunes

O ataques diferidos ao governo pela mídia burguesa têm caráter de classe, e servem aos interesses dos grupos economicamente dominantes do país, seu interesse é de tornar a população desacreditada na política.

 

Dom Pedro II dormindo diante de um jornal que aborda os problemas da nação, Ângelo Agostini.

Dom Pedro II dormindo diante de um jornal que aborda os problemas da nação, Ângelo Agostini.

Mais um polêmica gira em torno do governo de Dilma, ou será do PT? Por que de uma hora pra outra surgem tantos escândalos envolvendo os mesmos grupos políticos? Será que o Brasil vive seu auge de corrupção como é mostrado pela mídia? O povo brasileiro não estava acostumado com tantos escândalos seguindo um atrás do outro. Na verdade, a mídia sempre fez críticas aos governos – claro que na ditadura militar elas quase não existiam – não apenas os de esquerda, ou mais populares, mas também aos liberais e aos conservadores. Mesmo o imperador, principalmente Dom Pedro II, sofria ataques da imprensa. Exemplo, são as charges se Ângelo Agostini (ver figura 1) que fazia fortes críticas ao imperador. Mais tarde já na República surgem charges fazendo críticas à essa. Tanto os defensores da república faziam suas críticas como os defensores da monarquia. A diferença é que esses últimos atacavam a República em si, pois preferiam que o Brasil voltasse a ser um país monárquico; já o primeiro crítica os homens que dirigiam aquela república, pois queriam a mudança de governo dentro do novo regime. Se destacam nesse período os chargistas C. do Amaral e Raul do jornal OMalho e Vasco Lima do jornal O Gato(ver figuras 2 e 3). Com isso podemos perceber que as críticas não são meras apresentações da realidade, mas que estão repletas de conotações políticas, ou seja, existem interesses por trás das delas. Numa mesma época podemos ver uma crítica da república por interesses monárquicos, sendo muitas vezes associadas à imagens de prostitutas; e outras de mudança de gestão, que comumente eram associadas à imagens mulheres velhas ou doentes que precisavam ser renovadas (Ver “A formação das almas”, José Murilo de Carvalho). Com isso não quero dizer que as críticas não tenham ligações com fatos reais, mas apenas pretendo alertar de que é preciso saber de onde elas vêm, para se entender quais são as intensões da dos seus autores.

Nesse sentido, podemos perceber que as críticas atuais ao governo também são dotadas de interesse. O governo do PT foi o governo mais associado a corrupção em toda história do Brasil. De fato, as acusações são de acontecimentos reais, mas sempre de forma sensacionalista e manobrada de forma que o espectador apenas crie aversão aos fatos, mas que não faça nenhuma reflexão sobre eles. Assim, a imagem do político e também da política em si se torna algo negativo na cabeça da população. Se perguntarmos a algum eleitor de sua opinião sobre o atual governo muitos dirão que são todos corruptos, associam autores a palavras chaves, como Dirceu-PT-mensalão, mas poucos sabem o que de fato foi o mensalão, sabem apenas que foi uma coisa ruim. Isso acontece porque a intensão da mídia – principalmente a Globo e a Veja – não é de informar o cidadão, mas de afastá-lo da política e em certos casos de impedir que determinados políticos se reelejam. As grandes mídias, que se dizem independentes, são formadas por pessoas e dirigidas por grupos empresarias que tem interesses políticos, por isso fazem uso se seu poder de imprensa para promover os seus candidatos.

Esses últimos anos foi uma caça ao governo, mensalão, os ministérios de do governos de Dilma e agora o caso de Pasadena. Se fizermos uma pergunta de qual é o partido mais corrupto a qualquer cidadão que se infirma pela Globo ele provavelmente responderá que é o PT. Mas os dados do MCCE (Ver figura 4) (Movimento de Combate à Corrupção Eleitora) baseados nas informações do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostram que o primeiro lugar em número de políticos cassados é DEM, em segundo o PMDB, e em terceiro o PSDB, o PT fica em nono lugar. Ora, esses dados mostram que a opinião da Globo e da Veja são um tanto capciosas. Outro coisa, o PT é um dos maiores partidos, se não o maior, devia estar ao menos está encostado a esses outros, pelo menos segundo a forma que essa mídia golpista mostra, pois quanto maior o partido maior a possibilidade de terem políticos corruptos. Mas o que vemos na porcentagem do ranking é que ele possui apenas 2,9% dos políticos cassados, o que se aproxima de partidos minúsculos. Se fizermos os cálculos percentuais dos políticos cassados dentro da bancada do PT, veremos que ele é quase último da lista (link do site da câmara federal). Ora, isso é totalmente controverso à formação política que os cidadão recebem da Globo.

Não vivemos no momento do auge da corrupção, pelo contrário, cada dia surgem mais ferramentas de combate a ela. A diferença é que antes não se tinha acesso as mesmas tanto por falta de imprensa como pelo centralismo político. O povo tem tido mais acesso a informação, mesmo que com distorção, tem conseguido participar mais da política. E é justamente isso que desagrada as elites do país. Quando os governos mais liberais como o de FHC praticavam atos corruptos a imprensa se calava, pois tinha interesses nesses candidatos, a prova disso está nesse ranking, onde quase não se fala dos políticos do PSDB e DEM.

De fato, houve mudanças no governo do PT, não mudanças profundas, mas que já são o suficiente para desagradar a classe dominante. Claro, que a “frente popular” tem estreitos laços com a burguesia, como é o caso do PTB com Armando Monteiro, presidente da FIEPE, que defende redução dos direitos trabalhistas; ou do PRB, ligados à Igreja Universal, e que é extremamente conservador. O PT recebe financiamentos de bancos, que é um setor reacionário e improdutivo. Além de receber financiamentos de empresas como a Aracruz que impedem a reforma agrária. Os mesmo bancos financiam campanhas de candidatos diferentes, isso para garantir seus privilégios na próxima gestão, é por isso que temos umas das maiores taxas Selic do mundo, os bancos podem fazer o que quiserem com seus clientes, cobrar taxas abusivas, etc, pois o PT tem dívidas com esse setor. A Tractebel, financiou tanto Dilma como o Serra. Isso mostra que existem poucas diferenças entre esses partidos. Mas, mesmo assim, a mídia tem preferência em partidos como o DEM, PSDB, PMDB, e outros. Por outro lado, a conjuntura política não permiti que nenhum desses partidos se elejam sem financiamento privado. Os empresários que apoiam os partidos de esquerda o fazem com receio, fazem com medo que esses partidos consigam se eleger sozinho e façam ataques ao capitalismo como acontece na Venezuela e outros países de governos de esquerda. Nas eleição presidenciais de 2010, sempre que o Serra subia nas pesquisas, o valor das ações brasileiras subiam no mercado mundial, mostrando a desconfiança que a burguesia tinha em Dilma. Mas o que faz a mídia atacar o governo não é só o temor de que esse intervenha no mercado, mas também as pequenas reformas feitas pelo governos, as cotas, o programa mais médico, a bolsa família, tudo isso tem tirado privilégios da setores médios da sociedade. Se por um lado a classe média perde privilégios, por outro a elite tem medo do que essas políticas podem provocar. O bolsa família permite que uma criança pobre tenha mais condições de estudar; as cotas e o Prouni, possibilita que filhos de trabalhadores possam ter uma instrução de nível superior. Mas não é isso que é o mais assustador para a classe dominante, e sim o fato de o povo se interessar mais por política. Cada concessão, por pequena que seja, faz a população mais carente perceber que pode mudar a realidade com suas contribuições políticas, não só no voto, mas também na participação efetiva. Ora, o interesse do povo por política é uma ameaça às elites. E é justamente por isso, que o governo vem sendo atacado com tanta força. Não é medo que o PT faça uma revolução, mas que o povo tome consciência e passe a atuar decisivamente no país, esse é o maior medo dos ricos. Claro que existem setores na direita que acreditam que estamos vivendo uma revolução comunista e que o PT é o principal mentor, mas é do povo que eles têm medo.

Nesse sentido, a mídia ao falar de corrupção tem dois intuitos, um de mostrar que todos os políticos roubam, e que esse é grande problemas do país, com isso impede que população saiba do que é discutido no congresso. A Globo quase não fala das discussão que ocorrem no congresso nacional, se limita a falar de corrupção. A população, com isso, é levada a pensar que não adianta votar em candidato a ou b, pois são todos iguais, além de mostrar desinteresse por política. A burguesia por outro lado conhece seus candidatos e não titubeiam em dar seus votos a eles, mas sabe que o povo não tem identificação com eles e nem quer que tenha, por isso investe em destruir a imagem de seus adversários. O segundo interesse é impedir que os candidatos mais próximos ao povo se elejam. Como no Brasil a mídia é controlada por uns poucos grupos a manipulação dos dados fica fácil de ser feita, pois nenhuma grande mídia pode contestá-los. E é isso que ocorre nos casos de corrupção que vem sendo mostrados pela Globo. Por esse motivo, o eleitor deve ficar atento nessas informações parciais e sensacionalistas. Existem vários jornais de esquerda que podem contribuir com a formação política da população, como é o caso do jornal a Verdade.Na internet podemos encontrar diversas fontes sobre diversos assuntos, com esses instrumentos temos mais condições de nos informar. Nessas eleições temos que dar mais um mais uma derrota aos partidos de direita, de forma que avancemos ruma a uma sociedade mais igualitária. Ainda há muito que conquistar.

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