MOVIMENTO SINDICAL BRASILEIRO

latuff sindicato

O problema do movimento sindical é o imposto compulsório, a lei de greve, e ingerência da poder público nas eleições sindicais.

O sindicalismo é interpretado por basicamente por três visões no Brasil. A primeira é a visão das centrais sindicais, essas tendem a defender os seus sindicatos e falar mal dos outros. Assim, os suas entidades sempre defendem os trabalhadores e as demais são vendidas ou burocratizadas. Esse é um discurso político, sendo de pouco caráter científico. O outro é dito pelos empresários e os meios de comunicações burgueses, aqui o sindicato é sempre mostrado como um grupo de pessoas corruptas que estão apenas interessados no dinheiro pago pelos trabalhadores, sempre que ocorre alguma greve esses meios de comunicação procuram deslegitimar o movimento, mostrando que atrapalha a vida das pessoas e que o sindicato não se preocupa com as dificuldades que a população enfrenta com a greve. Fazem esses discursos para jogar a população contra a categoria e enfraquecer o sindicalismo. O outro discurso é o dos intelectuais, esses tendem a ver o movimento como um bloco único, com os mesmos princípios, a sua visão é de quem ver de longe a realidade do movimento. Afirmam, assim que os sindicatos foram derrotados pelos patrões, que estão vendidos, ou aparelhados pelo governo. Na prática essas visões acabam convergindo para um mesmo caminho: o enfraquecimento do sindicalismo. Existem várias forças dentro da sociedade, dentre elas várias são conservadoras e querem desorganizar os trabalhadores. E esses discursos são produzidos nesses meios, quem é contra esses discursos e quer realmente lutar pela categoria, muitas vezes, reproduz esses discurso de forma inconsciente, ou mesmo levado pelo calor nos discursos de combate ao sindicalismo amarelo. Para entender como funciona o movimento sindical hoje no Brasil, é preciso ir desde as origens. Além disso, é necessário se livrar dos preconceitos impostos pela mídia burguesa e seus lacaios.
Os sindicatos no Brasil surgiram no final do século XIX. As categorias mais engajadas foram os gráficos, têxteis, e outros. A classe operária brasileira era em grande parte emigrante, vinham de países como Itália e Alemanha. O momento era vivido sob a República, liderados primeiramente pelos militares e mais tarde pelos mineiros e paulistanos. Os primeiros líderes eram anarquistas, eram influenciados por Malatesta, que pregava o anarquismo sindical. Para a classe era fácil se apegar aos ideias anarquistas, pois como a maioria era de imigrantes e o Brasil vivia sob uma ditadura republicana, acabavam se sentido excluídos da nação, sem falar que eles não tinha nenhuma identificação com o estado brasileiro. Além disso, não haviam outras lideranças que pudessem da assistência política aos trabalhadores. Forma organizados alguns partidos operários e comunistas, mas não tinham dado certo, um dos expoentes dessa época na formação desses partidos foi Lauro Sodré. Em 1926 foi organizada o Congresso Operário Brasileiro, desse encontro foi fundada a Confederação Operária Brasileia (COB), a entidade seguia os moldes da CGT francesa. Mais tarde, em 1922 foi organizado o Partido Comunista Brasileiro (PCB), que apesar de ser infiltrado por anarquistas seguia a Terceira Internacional e os comandos de Moscou. Nesse período o movimento toma força, começam a explodir greves no país. A primeira greve geral foi ainda antes da fundação do partido, em 1917. Várias vitorias foram arrancadas nessa greve.
Diante de tal conjuntura política era evidente que a forma de Estado no Brasil não daria conta das lutas operárias. É nesse quadro que surge a figura de Vargas, ele toma o poder das mão dos coronéis para implantar uma ditadura burguesa. O país era atrasado, governados por coronéis, onde funcionava o voto de cabresto. Vargas queria industrializar o país e ao mesmo tempo controlar os sindicatos. Nesse momentos começam a surgir os elementos que vão dar configuração ao sindicalismo de hoje. Vargas cria a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) aos moldes das leis lavorais de Mussoline. Nessa lei os sindicatos foram substituídos pelos organizados pelo estado. Surge aí o imposto sindical. Depois do período Vargas os sindicatos voltam a tomar força. Isso prova que o fato do sindicato ser legalizado não impede a luta dos trabalhadores, o que Vargas fez não impediu a luta da classe. No golpe de 64 os sindicatos são atacados novamente. Aqueles que não atrapalhasse a ditadura podiam continuar existindo, mas os combativos acabaram sendo fechados, claro que devido a força organizada, mesmo os mais combativos não puderam ser fechados. Nesse período vários sindicalistas foram mortos pela a ditadura.
O movimento sindical não se acovardou diante a repressão – recomendo o filme Eles não usam Black ties – conseguiu arrancar várias vitórias, um delas foi o sistema de saúde para os previdenciários que mais tarde vai se tornar o SUS. Já no final da década de 70, devido a luta dos trabalhadores e dos demais setores a ditadura deu suas primeiras brechas. É nesse momento que o sindicalismo se intensifica na capital paulista e no ABC paulista. Na primeira, o sindicato dos metalúrgicos é dirigido por Luiz Medeiros do PCB, no segundo, por Lula. Havia divergências entre esses sindicatos, mesmo sendo da mesma categoria. As divergências tinha a ver com liderança partidária. O Lula tinha influência da Convergência Socialista, uma reunião de trotskista que começou a parecer depois do abrandamento. Essas divergência vão tomar rumos diferentes da atual. A convergência vai dar origem ao PT, que na época reunia mandelistas, morenistas e lambertistas. Foi formada a CUT (Central Única dos Trabalhadores), foram reunidos vários partidos nessa central, muitos deles com linhas políticas bastantes diferentes.
As divergências vão ser retomadas agora dentro da CUT. Na liderança de oposição estava novamente o Luiz Medeiros. Ele vai se filiar ao Partido Republicano Renovador e vai passar a ter uma visão sindical conservadora. Onde o mais importante é negociar com os patrões. Assim, ele vai fundar a Força Sindical e se torna o primeiro presidente dela. Se filia mais tarde ao PL. Essa organização vai se tornar a principal força de combate à CUT, mais que o próprio governo. Ela tem seu auge no governo Collor. Quando Lula ganha as eleições, os líderes da Força Sindical passam a se aliar a base aliada do governo. O atual presidente é Paulinho da Força, que é deputado federal. Foi filiado ao PDT e fundou recentemente o Solidariedade. Outras forças surgiram ao longo do tempo, tais como a UGT, CTB e CSP-Conlutas. A CUT continua sendo a maior em número de sindicatos filiados, mas a Força tem a maioria em números de trabalhadores. A primeira tem inserção no serviço pública e a outra na classe operária. As outras forças tem poucos sindicatos na base. A CUT e CTB tem se posicionado ao lado do governo e a força e UGT ao lado dos patrões. A CSP-Conlutas tem feito uso dos sindicatos para atacar o governo, fazem um discurso muito radical e por vezes toma posição semelhante à direita.
O grande problema hoje é essa divisão no movimento sindical. As forças acabam gastando mais força na luta contra a outra que acabam se enfraquecendo. Por outro lado, o legado do regime Vargas impede que os sindicatos estejam na base da classe, pois o imposto sindical compulsório acabam amortizando os sindicatos. O correto é que a filiação seja voluntária, assim o trabalhador pode ter mais afinidade com a entidade. Outra coisa importante é que exista uma justiça voltada para as disputas sindicais, pois vários sindicatos ficam nas mãos das mesmas pessoas durante anos. As eleições são disputadas com violência e o estado fecha os olhos para isso, prefere que as forças se destruam e enfraqueçam a entidade. A justiça tem vários meios de tornar a greve ilegal, o que coloca os líderes na retaguarda na hora da luta. É preciso ainda que os trabalhadores possam participar mais do sindicato, muitos sindicatos são formados por chapas patronais, onde os trabalhadores mais afastados da categoria principal, como por exemplo, gerentes, administrativos, etc, acabam sendo eleitos como sindicalistas. Mas essas categorias tem muita afinidade com os patrões. Outro problema é a liberação de carta sindical apenas para os sindicatos que apoiam os partidos da base aliada do governo, já que é o ministério do trabalho que a libera. Vários trabalhadores acabam sendo representados por sindicatos que representam uma categoria totalmente diferente da sua, pois o ministério do trabalho, não tem permitido que os sindicatos combativos possam ser legalizados. Mas existem muitos movimentos, como é o caso do MLC (Movimento Luta de Classe) que fazem a luta da classe. Com isso quero dizer que os problemas do movimento estão ligados as formas de como o governo e a justiça tratam os sindicatos, e não o enfraquecimento natural como pregam os intelectuais. E o outro problema é a intervenção patronal nos sindicatos. A forma de resolver isso é organizando os trabalhadores contra tais práticas. Fazer com que tomem consciência da importância dos sindicatos e ocupar esse espaço expulsando a burocracia operária desses locais. A questão é gestão, se a gestão for revolucionária os trabalhadores terão vitórias.

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