O sete de setembro e a liberdade no Brasil

Independência_ou_Morte_2Há mais de quinhentos anos as terras do Brasil têm sido vítimas de enorme espoliação. Após a chegada dos europeus o Brasil tem servido para enriquecer os maiores impérios do mundo. O suor dos trabalhadores tem se transformado em lucro para multimilionários da França, da Itália, da Inglaterra e principalmente dos EUA. Ainda assim, as forças armadas insistem em comemorar a dita independência do Brasil. O 7 de setembro propagado pela imprensa dos ricos na verdade é uma farsa, pois, a título de independência política e econômica pouca coisa mudou.
Do fim da primeira metade do século XVI até o fim do século XVII o Brasil foi palco da maior exploração de açúcar do mundo. Através da mão de obra escrava Portugal arrancou das terras brasileiras enormes riquezas por um pouco mais de um século, fruto da empresa agrícola instalada no Brasil que tinha apoio fundamental nas refinarias holandesas. Em virtude das disputas territoriais de Portugal com Espanha e da saída dos holandeses do esquema comercial feito com o açúcar luso americano, o estado português sofreu uma profunda debilidade econômica, política e militar – é aí que o ouro brasileiro e a Inglaterra vêm tirar a coroa lusitana do fundo do poço. Ainda assim, o preço foi muito alto. Em troca da sobrevivência da economia portuguesa o ouro brasileiro foi todo para o bolso dos ingleses através de um tratado conhecido como Tratado de Methuen. “Segundo as fontes britânicas, a entrada de ouro brasileiro alcançava 50 mil libras por semana em alguns períodos. Sem esta tremenda acumulação de reservas metálicas, a Inglaterra não teria podido enfrentar, posteriormente, Napoleão.” (Galeano, pág. 67). Assim, mais uma vez as riquezas do nosso país são roubadas pelos grandes impérios.
É em 1807 que ocorre, talvez, um dos fatos que tenha dado início ao 7 de setembro de 1922: a vinda da família real para o Brasil. Tendo Napoleão invadido o território português, a coroa portuguesa foge para o Brasil sobre a proteção da Inglaterra, transferindo para a colônia os poderes de decisão sobre o comércio e a economia. Mas, mesmo antes do 7 de setembro já não era Portugal quem comandava o Brasil e sim a Inglaterra, pois, em 1810 foram assinados tratados que entregavam o comércio brasileiro aos ingleses. O capitalismo inglês passa a gozar de privilégios comerciais e taxas alfandegárias no Brasil até 1842, o que prova que mesmo após a independência, em 1822, a economia do país continua subordinada ao estrangeiro; é tanto que a Inglaterra só reconhece a “independência” do Brasil mediante a renovação dos tratados de 1810. Mesmo após o fim do tratado com os ingleses, com o fortalecimento da produção do café o nosso país passa a ter relações com os EUA que até hoje atua como um verdadeiro colonizador. Das 500 maiores empresas estadunidenses 405 estão presentes no Brasil. a verdade é que a falsa visão de independência expressa nas comemorações do 7 de setembro visam esconder que ainda hoje a nação brasileira sofre imensa espoliação. Entre 2002 e 2012 foram remetidos ao exterior em formas de lucro e dividendos o total absurdo de 240.710,80 bilhões de dólares e só em 2012 foram U$$ 27.004,30 bilhões! É justamente por isso o salário do brasileiro é tão baixo, que as mercadorias são tão caras e que a nossa vida fica cada vez mais difícil.
O objetivo dos festejos do dia 7 de setembro é senão uma tentativa dos opressores de inculcar nas pessoas uma sensação de liberdade, quando na verdade estamos sendo explorados. Compreender a história da pilhagem que sofreu e sofre o povo brasileiro é fundamental para todas as pessoas, pois assim, identificamos no imperialismo a causa dos males mais cotidianos que passam nossos iguais. Mais do que isso devemos apontar a solidariedade entre os povos e o governo revolucionário dos trabalhadores como contraponto às guerras de rapina e controle econômico promovidos pelas potências imperialistas sobre os países pobres do mundo.

Referências:

– Eduardo Galeano, As veias abertas da América Latina. Ed Paz e Terra, 7° edição.
– Programa do PCR para a revolução socialista brasileira. Ed Manoel Lisboa.
– Francisco de Assis e Pedro Ivo de Assis Bastos, História do Brasil. Ed Moderna
– Celso Furtado, Formação Econômica do Brasil. Ed Nacional, 8° edição.

 

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